Desde que o tio de Tamerlan Tsarnaev aceitou recuperar, na
semana passada, o corpo do suspeito autor do atentado da maratona de Boston,
este continua fechado numa casa funerária e não se vislumbra que em breve venha
a realizar-se um funeral. Nenhum cemitério do estado do Massachusetts aceitou
enterrá-lo e as autoridades policiais recusam-se a interferir no imbróglio.
A cidade de Cambridge onde
ele vivia há mais de dez anos, perto de Boston, foi muito clara: está fora de
questão que Tamerlan seja sepultado no cemitério local. Os esforços dos habitantes
“para reencontrarem uma vida normal seriam prejudicados pela agitação, as
manifestações, as vagas de jornalistas que este funeral implicaria”, explicou
um funcionário municipal, Robert Healy, num comunicado.
“Não se trata de um assunto para o estado ou o governo federal
interferirem”, declarou o governador do Massachusetts, Deval Patrick, aos
jornalistas. “É uma questão para a família. E a família tem opções”,
acrescentou, sem especificar quais são essas opções. “Penso que em breve eles
vão tomar uma decisão”, afirmou ainda, recusando-se a dizer se é contra (ou
não) o enterro de Tamerlan Tsarnaev no seu estado.
A mulher americana de Tamerlan, Katherine Russell, já fez saber
na semana passada que deixava à família Tsarnaev, de origem tchetchena, a tarefa
de enterrar o seu marido. Ruslan Tsarni, o tio de Tamerlan e de Dzhokhar (o
outro suspeito dos atentados que se encontra detido) que vive perto de
Washington, tomou o assunto em mãos. “Um morto precisa de ser enterrado”,
disse.
O tio viajou para norte, até ao Massachusetts, para reconhecer o
corpo do seu sobrinho, morto durante um tiroteio com a polícia no dia 18 de
Abril. Começou a procurar uma funerária e esta foi apenas a primeira
dificuldade que encontrou já que nenhuma queria receber o corpo de Tamerlan.
Finalmente, uma funerária de Worcester, a uma hora de Boston,
que conhece os ritos muçulmanos, aceitou a tarefa. O corpo foi transferido para
lá, seguido imediatamente por um grupo de manifestantes que se instalaram em
frente da funerária para protestar. Entre os cartazes que empunhavam podia
ler-se este: “Enterrem este terrorista em solo americano e nós iremos
desenterrá-lo.”
E
depois, nos dias que se seguiram, sem solução à vista, nada aconteceu.
Um manifestante, William Breault, apelou nesta segunda-feira a
uma colecta de fundos para pagar o repatriamento do corpo para o Daguestão,
país do Cáucaso onde vivem os pais dos irmãos Tsarnaev, mas a inciativa não
teve qualquer sucesso. Para além disso, o dono da funerária de Worcester, Peter
A. Stefan, sublinha que só está disposto a entregar o corpo de Tamerlan para
ser repatriado quando receber garantias das autoridades russas de que este será
entregue à família no Daguestão.
O imã Talal Eid, fundador do instituto islâmico de Boston, diz
estar “preocupado” com todo este impasse e está mesmo disposto a “telefonar ao
Presidente Obama”.
Fonte: Portal Publico de Noticias - Portugal
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